domingo, 31 de maio de 2015

Vila


É como morar no interior
Todo mundo se conhece
Nada passa despercebido
Lá se tem harmonia
Lá se tem intriga
Pequenas Brigas
Grandes reconciliações 
Uma grande família 
Todos agregados

Quase extintas 
Passar pela rua, ver uma vila
É reviver o passado
Saudar os velhos tempos

Gabriela Devaneios


Tempo


sexta-feira, 29 de maio de 2015

Atílio


Tanto mistério
Um homem que pouco sei
Um segredo guardado a sete chaves
Como te procurei...
Tive medo de não te encontrar a tempo

Sabia tão pouco sobre você
Depois de 23 anos
Aqui estou eu agradecendo por te encontrar
Rezando para que você receba bem a notícia que eu tenho para te dar
Por muitas vezes pensei em desistir

Homem misterioso...
Ou um pacto entre amigas? 

No meio disso tudo tinha uma adolescente
Que perdeu a mãe aos 14 anos
E  que descobriu que seu pai não era seu pai
Eu naquela época tinha 10
Fiquei intrigada, 
como pode minha irmã não ser filha do meu pai?
Naquele dia prometi que encontraria o pai dela

Anos se passaram
Por um tempo essa história ficou adormecida
Comecei a questionar as pessoas 
Guardando todas as informações relevantes
Passando noites em claros a procura de mais pistas
Enquanto ela sonhava em encontrar o seu verdadeiro pai

Depois de muitos anos te encontrei
Senti uma alegria
Um frio na barriga
Um medo junto com a curiosidade
E ao mesmo tempo uma angústia
Como falar?
Como será a sua reação?

Gabriela Devaneios​








quarta-feira, 27 de maio de 2015

Saudades


Que saudade do Rio
Saudade da zona sul
Saudade da praia
Saudade da brisa do mar
Saudade do calçadão
Saudade do cinema de rua depois de um dia de sol
Saudade da feijoada nos dias de domingo
Saudade de sair da praia direto pro barzinho, sem ter que se arrumar
Saudade de usar chinelos 
Saudade da água de coco
Saudade do banho de mar
Saudade de ficar na areia 
Saudade de jogar conversa fora
Saudade de contemplar o por do sol

Gabriela Devaneios




Conselhos

De todos os conselhos que me deram
Não guardei nenhum
Alguns segui
Outros ignorei
Se tivesse que pagar por eles
Pagaria cada minuto gasto por aqueles que se preocuparam
Para alguns pagaria com outros conselhos
Para outros pagaria com ações

Gabriela Devaneios



Violência


Torço por pessoas melhores
Mais tolerantes
Menos sangue quente
Mais sentimentos
menos ganância

Que exista mais respeito
Mais compaixão
Menos Ódio

Que as pessoas percebam a importância de viver
Que não estamos aqui só por bens materiais
Que temos tanto mais que isso...

Muitos vivem só por viver
Carregados nessa onda de consumismo
Morremos e não levamos nada
É claro que todos queremos viver com dignidade
Deixar uma vida melhor para nossos filhos
Parentes, amigos e até mesmo para estranhos

Amar
Dividir
Ouvir
Trocar, doar
E até mesmo abrir mão

Viver é um presente para uns
E um castigo para outros

Não temos o direito de agir com tanta violência
Não respeitando a vida

Tantos tipos de violência
A física
A gratuita
A mental
A do preconceito
A da intolerância
A da corrupção

Violência fere, castiga, maltrata
Anula o nosso direito e prazer de viver


Gabriela Devaneios



Bons momentos

Espero que a vida ainda te surpreenda
Traga bons momentos
Que fique mais doce
Que seu coração ainda tenha amor


Abrace mais

Ame mais
A vida passa

O sentimento não

Não deixe tudo acabar sem sentido, vazio

Os sentimentos
Os valores
 A família
As amizades
As recordações
E até mesmo a dor da saudade

Gabriela Devaneios


Madrugada


Eu me delicio
Silêncio absoluto
Nenhum telefonema
Nenhuma cobrança
Sem barulhos de buzina
É como se a cidade parasse
Uma paz no meio da escuridão
Ascendo à luz do corredor
Escrevo lentamente
Quase não enxergo as letras
Me desligo do mundo
Nesse momento só tenho olhos pra ele
Meu velho caderno, cheios de rabiscos e palavras fora da linha

Gabriela Devaneios



Filhos


Antes de ter um filho
Alguns treinam com cachorros
Alguns treinam com os filhos dos outros
Alguns fazem cursos
Alguns simplesmente tem 

Hoje ter um filho é uma escolha
Não é uma obrigação 
Para muitos é o ciclo natural da vida
Não complique esse momento
A maternidade e a paternidade vêm naturalmente

Filho não é como receita de bolo
Quando ele nasce
Tudo pode acontecer
Nenhum é igual ao outro
Mesmo que o pai e a mãe sejam os mesmos
E que compartilhem da mesma educação

O mais importante não é fazer tudo como está escrito
Ou como te ensinaram
É seguir os seus instintos
Aprender a cada dia junto com ele
Não se apresse
Não se culpe
Viva, cuide e ame.

Gabriela Devaneios



Trânsito

Vejo carros e mais carros
Vejo o trânsito
Vejo as obras
Não vejo melhoras

Dentro do carro todos os dias parecem inverno
Queria uma grande ciclovia
Pedalar pela cidade
E pelo trânsito passar sem olhar

Gabriela Devaneios


Dar e Receber


A troca não tem que ser obrigatória
Não espere do outro a mesma intensidade ou agilidade
Não espere gratidão e nem escravidão



Gabriela Devaneios



terça-feira, 26 de maio de 2015

Toc

Antigamente
Virar os chinelos do chão era mania
Quando se falava alguma coisa que o outro não gostava, batia-se na madeira
Passar debaixo da escada nem pensar, dava azar
Para achar objetos perdidos chamava se São Longuinho, e se achasse dava três pulinhos
Sexta feira era o dia de vestir branco
Ainda existiam pessoas que só vestiam uma cor todos os dias
Excesso de limpeza era higiene

Manias muitas vezes notadas
Pouco valorizadas
Todos sempre diziam
Cada um com a sua mania

Manias incontroláveis
Nunca vão ser saudáveis
Nem no passado
Nem no presente 
Nem no futuro

Hoje o que se vê é um excesso de TOC
Na dúvida as pessoas falam que é TOC
Umas por ignorância
Outras para zombar do outro
Se você acha que tem
Procure um profissional
TOC não está na moda
TOC é uma doença  
Que precisa de tratamento

Gabriela Devaneios

O que você quer?

 Quero banana
Quero mamão
Quero morango
Quero melão
Quero abacaxi
Quero maça
Quero uva sem caroço
Quero pêra
Quero laranja
Quero tudo junto e misturado
Quero em pedaços
Quero em caldos
Salada de fruta
É o que eu quero.

Gabriela Devaneios

Feira


O cheiro suave das flores
O cheiro forte dos peixes
O sabor do pastel
O caldo de cana gelado
As frutas, legumes e verduras frescas
Tocar, escolher cada fruta, cada legume.
Olhar cada barraca
Escutar as ofertas

Cinco sentidos
Diversas pessoas
Feirantes a gritar
Fregueses a negociar
e todos na feira a degustar

Gabriela Devaneios

Roubada

  
Fui roubada pelos que deveriam me proteger
Levaram tudo
Quando deveriam me resguardar

Nada restou
Nem a roupa do corpo me pertencia 
Queria ter guardado uma foto dela 

Foi num domingo 
Domingo nublado 
No velório os vi,  ainda como entes queridos
Sem imaginar o que estava por vir
Não vi maldade em seus olhos
Que criança poderia ter tal malícia?
Foi um dia duro
A primeira vez que vivenciei a morte

Infância interrompida, roubada
Com eles conheci tudo que ela nunca me apresentou
Conheci o desamor
A maldade 
A ganância
A inveja 
Tantas coisas ruins...

A infância passou
Não tão rápido quanto eu desejava
Foram dias arrastados
Dias dolorosos
Dias intermináveis
Anos e anos perdidos
Perdidos num tempo que não volta
Uma infância ceifada, mutilada

Hoje olho pra trás e me orgulho
De ter sobrevivido a eles
De não ter me tornado um deles
  
Obrigada mãe!
Por tudo que você me ensinou
Por tudo que vivemos
Pelo seu amor
Pela sua vida

Gabriela Devaneios





Sonhando



Sonhando com o futuro?
Futuro recente
Futuro distante
Futuro sonhado
Futuro tão esperado
Então acorde e lute
Dormindo não se consegue nada
Somente pesadelos e com sorte bons sonhos

Gabriela Devaneios


Encontrar

Se quiser me encontrar
Passa lá em casa
Passa sem avisar
Me faça uma surpresa
Vá sozinho
Sem flores ou bombom
Não me ligue
Não faça promessas
Não marque e desmarque
Não se preocupe com o que eu vou pensar
Somente apareça e me surpreenda

Gabriela Devaneios

Olhar

No seu olhar vejo a verdade
Vejo o seu desejo
Vejo mais do que desejo
Vejo tudo
Só não me vejo ao seu lado

Gabriela Devaneios

Correto

Olhe ao seu redor
Observe mais
Procure todos os ângulos
Veja as pessoas que estão a sua volta, conhecidas ou estranhas
Apenas observe
Respire fundo, lentamente

Aprecie mais
Perceba a vida
Sinta a vida
Se sensibilize
Se mobilize
Faça a diferença
Faça o correto
Gabriela Devaneios

sábado, 23 de maio de 2015

Amigos


Encontro com os amigos
Rir com eles
Rir deles
Rir da gente

Encontrar só por encontrar
Só de olhar já sabem o que está acontecendo
Brigam como irmãos
Contornam diversas situações juntos
Sabem os pontos fracos
Sabem nossos refúgios quando estamos chateados

Verdadeiros amigos
não precisam estar presente o tempo todo
Podem sumir dos nossos olhos
Mas estão sempre na estreita
Aparecem mesmos quando não são solicitados
Não se aproveitam dos nossos pontos fracos
Não cobram atenção
Não disputam o tempo
E nunca nos deixam na mão


Gabriela Devaneios

Já tive

Já tive pressa
Já tive fome
Já tive medo
Já tive segredos
Já tive vontade
Já tive coragem
Já tive você

Gabriela Devaneios

Encruzilhadas

A vida é uma armadilha
Quantas vezes caímos nas mesmas ciladas
Repetimos para nós mesmo que não vai acontecer de novo
E lá estamos nós naquela mesma encruzilhada
No meio do caminho, cometendo os mesmos erros
Os mesmos deslizes
Ora é o coração, que nos leva
Ora é o nosso impulso
Ora é a nossa cabeça que nos guia achando que é o melhor caminho
Mas até ela falha, erra e insiste

Viramos arames farpados
Quando não nos ferimos
Alguém sai ferido

No meio do ciclo da vida e de tantas encruzilhadas
Vidas se entrelaçam
Vidas se desgarram

Gabriela Devaneios

Recomeço


Desejo-te mais amor
Mais tempo
Mais compaixão

Nessa correria da vida
Muitas vezes esquecemos os sentimentos
Ou até mesmo enterramos nossos corações ainda vivos
Pra quê? Por quê?
Que sentido tem a vida nessas circunstâncias?

Tristeza olhar para o passado
Perceber que somos estranhos um para o outro
Não entendo o por quê?
Você me viu bebê
Me viu criança
Viu todas as fases da minha vida
Tudo que passei
Sempre se manteve distante
Nunca se envolveu emocionalmente

Um homem que antes transmitia sentimentos
Secou, amargou e se isolou
Perdeu o rumo da vida

Não perca a sua essência
Recomece do seu começo
Quando a sua vida era como seus quadros.

Gabriela Devaneios

Enxeridos


Não ligue para tudo que os outros dizem
Eles adoram se meter aonde não são convidados
Na vida alheia
Enxeridos é o que eles são
Parecem ter prazer em tocar nas feridas
Dar palpites em assuntos desconhecidos
Achar que são amigos
Mais uma vez apenas enxeridos
Povo chato 
Povo vago
Deles nada se aproveita
Pode jogar tudo fora
De preferência nem dê ouvidos
Ignore-os
São tão enxeridos 
Que não percebem suas próprias vidas
Vivem na sombra do outro
Caçando a vida alheia 

Gabriela Devaneios

terça-feira, 19 de maio de 2015

Janela


Lá na esquina
Tem uma menina
Que mora na casa amarela
Ela vive na janela
Mais parece uma boneca namoradeira
Faça chuva ou faça sol 
Lá está ela
Parada como uma estátua
Só fica a olhar
Sempre sozinha

Tem dias que passo
Que quase paro

Tem dias que passo e nem disfarço
Olho mesmo! 

Um belo dia passo e não a vejo
Cadê a menina da janela?
Gabriela Devaneios


segunda-feira, 18 de maio de 2015

Verdades e mentiras



Entre verdades e mentiras
Fico com o agora
O que importa 
Passado presente
Ou presente passado
Tudo transborda 
Tudo queima
Desequilíbrio permanente
Vidas quebradas
Redomas formadas

O que penetra é o resquício do que te atormenta
Do abandono
Do descaso
Do desprezo
Da intolerância
Da vida individualizada 
Não poupada
Não afagada

Gabriela Devaneios


Vida

Um dia ser criança
Um dia ser adolescente
Um dia ser adulto
Um dia ser idoso

A vida é isso
Seguir o curso natural
Uns conseguem um tempo mais longo
Outros um tempo mais curto
Muitos partem sem dizer adeus

A vida é tão intensa
Tantas emoções se misturam no decorrer de seu curso
Tantos projetos
Tantos desejos

Tantos anseios

Alguns conseguem mais do que planejaram
Outros não

Viver é tão mágico
Que muitas vezes esquecemos que somos mortais

Gabriela Devaneios


Hoje

Me dê a mão
Vamos juntos até ali 
Vou no seu passo
Ao seu lado
No seu compasso

Hoje não tenho pressa
Não tenho hora
Quero curtir você
Quero curtir com você

Hoje não tenho meta
Não quero vencer
Quero  me perder com você

Hoje não tenho limite
Não quero ir até a esquina
Quero atravessar com você
Quero ir e voltar com você

Quero ir até o fim 

Hoje não quero conversa
Não quero assunto
Quero ação
Quero provocação


Gabriela Devaneios


Sorriso


domingo, 17 de maio de 2015

Rio

Centro do Rio
De segunda a sexta feira um verdadeiro formigueiro
Um mar de gente toma as ruas
Na correria do cotidiano
Ônibus cheios
Trânsito intenso
Pessoas atrasadas, sempre correndo
Que só param quando o sinal fecha
E quando ele abre todos são levados como uma grande onda
Alguns quase levam um caldo
Por sorte são arrastados até o outro lado da faixa.

Gabriela Devaneios



Sorrateiro

Quando sai não olhei para trás
Fechei a porta sem fazer barulho
Na calada da noite, todos dormiam
Levei apenas umas mudas de roupa
Sai de cabeça pensada
Não queria lamentações
Não queria choros
Na calada da noite foi muito mais fácil

Na manhã seguinte
Não recebi ligações, nem contestações
Deixei uma carta 
Covarde, insensível e até mesmo desprezível

Ver as lagrimas
Os questionamentos
Me fariam fraquejar
Precisava sair na surdina

Naquela noite perdi a razão
E nos olhos que eu poderia ter visto lágrimas de amor
Hoje vejo desprezo e dor

 Gabriela Devaneios


Medo

Não tenho medo da necessidade
Tenho medo da maldade

Gabriela Devaneios

Sobrenome


Meu sobrenome
Minha sina
Ele me arrasta
Me sufoca
Me cala
Quase me mata
Me mata de dor
Me mata de amor

Família falida
Falida de afeto
Irmãos separados 
Tudo corrompido
Tudo destruído

A morte da mãe
Infâncias interrompidas
Segredos contados
Quando deveriam ser preservados
Meia irmã só de sangue, porque pra mim ela é irmã inteira

Meu pai que deveria ser meu maior protetor
Foi meu maior pesadelo

Ver meu irmão ser maltratado, humilhado
Uma criança adorável
Lindo como um anjo
De todos o mais carinhoso

Ver a irmã caçula ainda bebê partir
Não se despedir, perder o contato
Como se ela nunca tivesse existido

Uma dor indescritível
Ora dor da desilusão
Ora dor da saudade

O passado não pode ser apagado, nem enterrado
Em dias difíceis ele vira ferida aberta
Que fica guardada
Quase trancada

Gabriela Devaneios

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Crianças

Adoro acordar sem compromisso
Sem ter que me vestir como os outros
Gosto de deixar os cabelos revoltos
Pentear só mais tarde
Primeiro bebo água
Depois escovo os dentes

Na varanda fico a admirar os pássaros
Livres, num destino que eu fico a imaginar
O sol entra sem ser convidado
Leio o jornal
Meu marido sai pra trabalhar
Minha filha acorda
Não existe monotonia com ela
As brincadeiras 
Os desenhos 
 O riso
A dança
A sua feição
Seus movimentos
Sua imaginação
O seu modo de responder aos estímulos
As suas reações são sempre surpreendentes
Caixinha de surpresa viva

Crianças são como pássaros
Livres, livres, livres
Não precisam de muito
Precisam apenas ser crianças

Brincar é como voar
Não tire isso delas 
                                                                                                  Gabriela Devaneios






quinta-feira, 14 de maio de 2015

Menina

Criança feliz
Adolescente guerreira
Mulher decidida
Mãe comprometida
Amo todas
Em diversas situações me vi
Na linha do tempo me perdi
me encontrei

Todas vivi
Todas viveram comigo
Quando menina queria que o tempo passasse rápido
Doida pra me transformar em adulta
Ser uma mulher independente
Doce ilusão de adolescente

Saudades da pureza de menina
Saudades daquele olhar de criança
Saudades de quando corria descalça na vila
Saudade de ficar com as bochechas rosadas de vergonha
Saudades da escola
Saudades daquela doce menina
Gabriela Devaneios

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Filha



Muitas meninas sonham com o príncipe encantado
Eu sonhava com o pai encantado
Eu não queria ser princesa
Eu só queria ser filha amada
Gabriela Devaneios



terça-feira, 12 de maio de 2015

Cegueira

Seus olhos verdes acinzentados
olhos cor de gato
Sua pele branca e macia
Seus cabelos negros 

Sua face encantadora, parecia inabalável
De um humor invejável
Linda até nos momentos de loucura
Serena e justa

Até aquele dia...
Tudo corria bem
Ela lendo seu livro, 
eu e meu irmão brincando
De repente um grito
Era ela, sentada na cama, 
o livro no chão
O desespero nos cercou

Aos dez anos vi minha mãe cegar, cheia de vida...
Fiquei cega de dor 
Cega de amor
Mas a minha pior cegueira foi nunca mais a ver.
Gabriela Devaneios